quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Amigos assim a atirar para o gay de gajos que potencialmente até podemos dar uma pinocada

Ora bem. Para começar, tenho de expiar, expulsar, excomungar, exorcizar uma pequena história convosco - até para sondar entre o auditório de cães e gatas se o mesmo já vos aconteceu - sobre uma situação que, a meu ver, poderia ter saido de mentes tipo Boris Vian e outros que tais, ou então daquelas rampejos fulminantes que temos quando estamos na casa de banho a fazer muita força. Não sei, é como quiserem. Há uns tempos tive um fraco por um moço de orelhas saidas e ar tristão. Não era daqueles tipões populares, era um rapaz normal mas que em tudo ou nada se encaixava como num quadro de um artista hiperflamengo. Sim, ele e eu tinhamos aquelas quimicas de acabar as frases um do outro. Fosse eu mais expedita e agora iria falar de cambalhotas e mortais empranchados de pito para a frente. (ai, disse pito pronto já descambou)
A certa altura o moço torna-se unha com carne de uma criatura a quem vamos chamar de...criatura. Este era já conhecido pelas suas estranhas e obsessivas amizades. Digamos que, de tão obsessivas as amizades, muito boa gente desconfiava que a criatura tendia para o outro lado, apesar das amigas com as quais andava pendurado. O moço soube que eu até gostaria de dar com ele à lingua de outra maneira sem ser necessariamente a falar, e durante uns tempos a coisa até parecia bem encaminhada. Até à altura em que a criatura achou por bem determinar que eu não tinha as necessarias qualidades para linguajar com o moço (ou seja, não falava aos gritos e era inteligente) e de tudo fez para que a coisa azedasse, através da arma mais mesquinha e letal que existe: o famoso gossip. Perguntam agora e o que fizeste? Pois bem, tal como determinadas claques politicamente correctas fiz o politicamente correcto: nada. Como disse? Sim, nada. Porque na altura acreditava que se o tal moço não pensava por ele próprio, preferindo acreditar em criaturas, então afinal não era assim tão especial como pensava. Fosse hoje, e tinha assentado duas valentes frutas na criatura, daquelas para que as pessoas lhe perguntassem no meio da rua: que roxo tão giro! Onde posso comprar para homem? Eu devia desconfiar quando uma pessoa diz que "o que lhe convinha (ao moço) mesmo era uma pessoa como eu (criatura) só que com passarinha", que alguma coisa cheire a fossa céptica. Hoje tenho um gato que só não me põe num pedestal porque não dá jeito andar de pedestal na rua, e porque o meu sentido de equilibrio é fraquinho (surpreendente para uma gata). E digamos que fiquei a ganhar. Auditório, destilem as vossas historias sobre homens que não sabem afirmar a sua sexualidade e por isso fazem a vida negra às pretendentes dos melhores amigos. Digam-me que lhes batem. Eu agradeço.

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