Reparei sem querer, pois estas coisas só me acontecem por mera coincidência, que foi meu o primeiro post número 69 deste gatil. Podem confirmar. Isto da sorte e do azar, o acaso, tem destas pequenas alegrias e no meu caso concreto é mesmo de uma alegria que estou a falar. O valor simbólico do número em questão, conotado com um agradável esforço de partilha, leva-me a aproveitar a dita coincidência para homenagear este Dia Mundial da Poupança com um post baseado no pretexto mais à mão, uma conta de sumir. É que eu sou o GatoCão e isso confere-me uma mais valia quando toca a somar sessenta e oito mais um… Claro que me refugiarei na abordagem menos embaraçosa para mim e para quem me lê, tentando poupar-nos aos detalhes daquilo que a cabeça a mais (a do canídeo em mim) se entretém a fazer enquanto o lado felino se debate com uma das pontas do nove ou do seis. Até porque acredito ser fácil de imaginar, mesmo para quem só tenha ouvido falar, por onde se poderia fazer sentir a matemática elementar desta multiplicação assegurada pelo lado cão da minha natureza ambígua. Concentro-me então na vertente mais picante que resulta desta natural aptidão de um gato como de um cão para utilizar a língua, um impulso irreprimível que nos torna particularmente hábeis (e nem por isso menos receptivos) na utilização desse instrumento de cálculo que a minha morfologia eleva ao quadrado nas contas das mais arrojadas gatas que me toca satisfazer em termos numéricos e que, neste caso específico, é sempre setenta menos um. E isto não tem mérito algum, tenho disso a perfeita noção. Esta insólita aptidão é fruto de um erro genético que não posso usar a meu favor quando argumento, mais um prazer possível para as papilas gustativas em causa, com o sabor das palavras mergulhadas no molho agridoce da minha dupla imaginação. A perspectiva sensorial do felino por oposição ao desejo animal, voraz, do descendente de lobo que me uiva do lado oposto a sua presença complementar. Alguém poderá questionar o propósito de um discurso assim. E eu esclareço que em parte de mim há algo que esqueço quando estou entretido a calcular à beira das sete dezenas num dos extremos da equação. A uma boca em silêncio, ocupada a arredondar os resultados finais, corresponde sempre a outra boca. Aquela que fala demais.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
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11 comentários:
É engraçado como a tua dualidade felino/canina se converte num pára/arranca em inúmeras matérias! :p
Claro que no que toca ao setenta menos um ou ao oitenta e quatro mais cinco, esse tipo de manobras de diversão só conferem um teor mais animado à coisa.
Posso parar,mas quando arranco é prego a fundo.
A coisa quer-se animada. Ou não?
:-)
Isso era uma pergunta de retórica, não era?
Era. Não me deixaste muitas saídas com a tua entrada... ;-)
tinhas que ser tu
Tinha que ser eu o quê, Maga? :-)
isto nao tem nada a ver com o post mas... black catdog hoje lembrei-me daqueles desenhos animados que era metade cão e metade gato... e depois associei a ti eheheh fartei-me de rir :) vou ver desenhos animados até ser bem velhinha :)
enfim... não ligas. eu as vezes saio-me com associações destas
Blog fixe, vai a o-micro-gaitas.blogspot.com
Mas a associação é mesmo essa. O meu nick deriva desses desenhos animados do Nickelodeon, Mika.
Eu também vejo desenhos animados. :-)
E a banda desenhada do Mutts... black catdog, vais adorar o safado do gato e o ternurento do cão.
Bem lembrado, Medusasss. Eu conheço bem o Mutts e adoro o safado do gato.
Aliás, a putinha em mim leva-me sempre a acarinhar mais o lado safado da felinidade do que a versão lamechas do "melhor amigo do homem" (prefiro-me melhor amigo da mulher, por uma questão meramente hormonal e cromossomática).
E sou um daqueles miaus sem pachorra para a fidelidade canina, o que me empurra logo para uma pele (um pelo) de gato safado.
E gosto, vê tu.
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