sábado, 6 de outubro de 2007

Eu só vim ver a boda...

Ontem fiz algo que já há muito não fazia. Fui à Boda! Confesso que andava um pouco afastado desse mundo, tinha ido a vários outras recentemente e não tinha ficado satisfeito nem um pouco com resultado nem com a decorrer das mesmas.

Eu ainda sou do tempo em que as igrejas enchiam de pessoas para ver a boda. Os homens podiam levar a mulher e os filhos descansadamente sem receios, passavam-se tardes agradaveis sem problemas. Hoje em dia as igrejas estão vazias! Já ninguém vai aos casamentos. Primeiro porque as prendas estão caríssimas, depois toda a cerimónia em si está descredibilizada, os padres estão sempre envolvidos em escãndalos trazendo a desconfiança para os convidados. E as claques apesar de divididas e bem separadas, adeptos do noivo de um lado e da noiva do outro, envolvem-se muitas vezes em confrontos verbais tornando o ambiente pesado e hostil. Tambem a noiva ajuda muitas vezes a inflamar os ânimos com a chegada tardia e premeditada, instalando logo aí o nervosismo e a impaciência no lado do noivo.

O sr. padre assume a maior parte das vezes e logo desde o começo, todo o protagonismo não deixando os noivos brilharem, mostrando a sua autoridade com constantes advertências e avisos verbais a ambos, inibindo o seu comportamento. Esta atitude retira, naturalmente, espectacularidade à cerimonia, levando mesmo a bocejos entre a audiência. O noivo é várias vezes acossado pela claque da noiva, intimidado e ameaçado se entrar em falta sobre ela e sempre com a conivência do Padre. O facto de não existirem vedações a separar publico de noivos a isso propencía. Contudo e desta vez reparei que o fair play demonstrado pelos noivos no altar contagiou toda a assistência, não houve entradas duras (essas ficam para mais logo) e tanto noivo como noiva demonstraram muito respeito um pelo outro. No final os nubentes cumprimentaram-se acaloradamente e sairam felizes e abraçados pelo corredor. Foi um lindo espéctaculo um verdadeiro hino à Boda!

Imbuidos pelo mesmo espirito, as diferentes claques unem-se agora numa imensa festa, brindes são feitos, promessas de amizade eterna, o pai do noivo grita alegremente após pedido geral de beijo "ainda bem que existem estas ocasiões para receber um beijo da minha mulher", o alcool escorre pelas gargantas e as palavras soltam-se pelo ar como migalhas, a boa disposição reina lembrando os tempos aureos das bodas antigas. Apesar de tudo, o resultado é mesmo o mais importante aqui, mas por agora não se pensa nisso. Dá-se tempo ao tempo, mais partidas e adversários virão, alguns bem difíceis de ultrapassar mas o ambiente agora é de festa e os noivos contam agora com uma claque unida e mais forte que nunca e cretamente com vontade e ânimo redobrado para tudo vencerem.

Assim dá gosto ir à Boda!

5 comentários:

X disse...

Conta lá as fofocas: e a noiva ia bela e radiante? Fotografaste a cabeça de leitão para fazeres prova de que foste mesmo à boda? Muito calor pelo Sul? O noivo acabou de gravata esfarrapada? Alguém deu envelope vazio em vez de com dinheiro? Houve gaffes? Conta lá a porcaria dos pormenores...

marco disse...

eu tb quero ir a minha boda!!

Black Cat disse...

belo relato, sim sr.!

Nina Kat disse...

boda é bom... :)

paula disse...

Olha, mas conta lá... tão embrenhado por este ambiente felino com que andas, não achaste a noiva uma gata, não???
E...em vez dos cumprimentos tradicionais...tu vê lá...