Eu dou-me mal com subúrbios- é uma constatação. E uma localidade chamada Ponte de Frielas, com um cheiro nauseabundo no ar, não promete- é um triste facto. E está mais que comprovado que os subúrbios causam-me incontinência verbal- é também um facto.
A mesa estava completa e eu cheguei (para não ser surpresa) atrasada. Dos 20 convivas, 4 gajas a contar comigo (todas diferentes- uma com ar de "boazinha", uma mãe matrafona e uma loira com ar de tantan com olhos esborratados) e 16 gajos, incluindo o meu partner (todos iguais- rebarbados- incluindo o meu acompanhante).
A noite começa bem: Gata Pingada a tentar estar de matraca fechada. Diz um dos convivas a meio da conversa:
-"Blá, blá, blá... perguntem ali à psicóloga."- toda a mesa de olhos postos em mim.
Diz a loira tantan com olhos esborratados e voz guinchante:
- "Que giro! Weeee! És psicóloga? Que e-mo-ci-o-nan-te!"
Gata Pingada a conter-se, esboça o seu sorriso amarelo. Nesta, sai-se a boazinha:
- "Tiraste o curso onde? No ISPA?"- ar compreensivo na cara sardenta.
- "Credo! Eu lá tiraria o curso numa universidade de lésbicas?! Naaa, tirei na pública- mesmo"
Boazinha a mudar de semblante:
- "Olha que não, olha que não!"
Gata Pingada a acusar a sangria:
- "Olha que sim, olha que sim!"
- "Pois, EU ando no ISPA e não sou lésbica!"- boazinha a ficar com uma cara menos boazinha.
- "Pois eu já comi três ou quatro lésbicas e eram todas do ISPA"- ups, I did it again.
Resto do repasto com as mulheres com cara de medo a olhar para mim e toda a prole masculina a olhar-me entre um misto de admiração e profunda excitação.
No regresso a casa, indaga-me o meu partner:
-"Era necessária aquela resposta?"
-"Quanto mais conheço gente, mais gosto de mim."- pensamento aqui da Gata Pingada.


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